terça-feira, 17 de Novembro de 2009

A última vez

Há nove meses que nos andávamos a preparar. Diziamos que era o último pequeno almoço sem biberãos em cima da mesa, as últimas compras sem birras, nem carrinhos de bebés, a ida ao cabeleireiro sem a preocupação da tinta fazer efeito antes da hora da mamada. Era a última vez.

Aproveitámos bem. Nós as três. Rimos juntas, chorámos, aprendemos, crescemos. Namorámos, casámos e até nos separámos. As zangas, as brincadeiras, as gargalhadas. As viagens, as bebedeiras, as perseguições aos carros do lixo. Dançámos. Ficámos mulheres.

Agora, temos o Rodrigo, a Camila e a Joana. Nada será igual, é verdade. É bem melhor! As conversas são interrompidas por causa de fraldas sujas ou de arrotos, é verdade, mas eles estão em primeiro lugar. E não é assim tão chato. Ai, já arrotou, que alívio. Que alegria. Fazemos agora uma festa pela grama que o Rodrigo engordou, porque a Joana já não tem cólicas e pelas duas horas de sono que a Camila dorme seguidas.

Sou uma madrinha e uma tia feliz. E elas continuam a ser as minhas manas de coração, Aqueles a quem ligo a qualquer hora para contar as minhas histórias e só elas entendem. E só elas se zangam quando assim tem de ser e só elas se riem porque é mesmo caso para isso. E só elas me chamam à terra quando ando na lua. E só elas se preocupam. E só elas se excitam com as minhas aventuras. E só elas sabem que eu não sou nada do género de escrever posts assim. Apeteceu-me. E elas sabem o motivo.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

33, diga lá outra vez

Pois é já amanhã que vou soprar 33 belas velas. E, se por um lado, queria fazer uma festa de arromba, por outro, não me apetece fazer nada. Resultado: Será um jantar de família, seguido de uma taça de champanhe com os amigos. O vestido já está comprado, o Moet comprado e o penteado escolhido.

Segue em baixo, a lista de presentes para os indecisos ou com falta de imaginação.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

O principezinho



Dois meses e sete dias depois conheci, finalmente, o Digo. Senti-lhe o cheiro, dei-lhe a mão, dei-lhe colo, olhei-o nos olhos, contei-lhe os dedos dos pés, analisei o umbigo, as orelhinhas. Cantei para ele. Viu-o mamar e a adormecer. Ouvi-o chorar.
Foi hoje e já tenho saudades.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Há as separadas, as casadas, as divorciadas, as mal casadas, as mal fodidadas, as apaixonadas, as acomodadas, as mães de família, as tias, as malucas, as urbanas, as suburbanas, as românticas, as fofinhas, as insatisfeitas, as sonhadoras, as complicadas, as gajo, as infantis, as provocadoras. Mulheres há muitas. Há para todos os gostos e feitios. Aqui me confesso. Sou das separadas, mas que recusa alinhar em grupos de mulheres que combinam jantares desesperados às sextas-feiras só para irem para um qualquer espaço suburbano espalhar sensualidade e levar para casa um "brinde" quando no fundo querem mesmo é voltar a encontrar um homem. Simplesmente um homem. Para lhes mudar as lâmpadas da casa de banho ou simplesmente para terem em quem mandar, a quem dar satisfações. Sou ainda das apaixonadas. Sim, acho que estou ou estive, sei lá, mas será um tema com direito a um post só para ele. Acomodada? Nunca! Romântica? Gostava, mas o meu nariz arrebitado não me permite. Insatisfeita me confesso. Se, por um lado, entusiasmo-me com o que se passa à minha volta e vou até ao fim do mundo para conseguir algo, por outro, perco a tesão assim que tenho o mundo na mão. Mulher-gajo. Tenho dias assim. Muitos. Não estou para conversas sérias, não quero dar satisfações, só eu e o meu umbigo. Provocadora, humm... tem dias.

On my own

Ainda vou a tempo. Ainda vou a tempo de aprender a ir sozinha para casa. Ainda vou a tempo de aprender a ir sozinha almoçar. Ainda vou a tempo de aprender a ir sozinha de férias. Ainda vou a tempo de aprender a ir sozinha ao cinema. Ainda vou a tempo de ver sozinha televisão. Ainda vou a tempo de aprender a desbloquear sozinha o meu carro. Ainda vou a tempo de aprender a decidir sozinha a minha refeição. Ainda vou a tempo de escolher sozinha a minha casa nova. Ainda vou a tempo de aprender a não ser tudo à minha maneira. Ainda vou a tempo.

E se, por um lado, tudo isto parece assustador. Por outro, parece-me maravilhoso.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Apaixonei-me



Apaixonei-me por ele, assim à primeira vista. Cautelosa que sou, não me atirei assim de cabeça. Aqui me confesso. Não percebo nada destas tecnologias. Gosto da cor, do tamanho e do formato. Agora ajudem lá. Quero um telefone, câmara fotográfica, música e internet. O que anda aí a dar?

A Capital fechou há quatro anos. Mais do que o meu primeiro emprego, A Capital tornou-me na jornalista que sou hoje. Mudou a minha vida. Pessoal e Profissional. Lembro-me bem do dia em que comecei a estagiar. Estava na faculdade e ainda sem certezas para o futuro. Ao fim da primeira reportagem, percebi que era isto que queria fazer para o resto da minha vida. Era a escrever, a investigar, a fazer manchetes que me sentia feliz. A tentar mudar o Mundo. Ajudar, pelo menos. E assim foi ao longo de quatro anos. Namorei e casei. Sempre n'A Capital. Cresci, aprendi e fiz amigos. Os melhores. Ainda hoje se mantêm. Passámos juntos pelo melhor e pelo pior. Que saudades dos gritos, das gargalhadas, das lágrimas, dos sorrisos, dos medos, do carinho, dos almoços de grupo, das noites de fecho. Dos croissants do Baloiço. Dos lanches light do XPTO, dos gelados do Yes a meio da tarde. Das boladas dos meninos do Desporto, das reuniões de edição, sempre com o Bruninho a protestar. Das investigações do Guedes, das reportagens deliciosas da Catulo. As reuniões de câmara da Marta e da Oliveira, a calma do Maltez. Do Erast. Da Milocas a pedir as contas e as folgas. Do cheiro dos cigarros. Das lições do Torcato e do Mesquita. As politiquices da Marianecas. Das discussões das touradas lideradas pelo Lázaro. Da euforia e dedicação da Edite Esteves. A boa energia do Claudinho. Momentos únicos que não se repetem mais.

Saudades.